sábado, 7 de abril de 2012

500 cartas para ela - Dia 43 - 1001 ideias

Querida N.P

Hoje, vindo do bar para a minha casa pensei em muitas coisas para lhe escrever, pena que todos esses pensamentos só poderão ser usados em uma unica carta, pois mesmo se eu formatasse essas ideias em  tópicos e as salvasse no word, amanhã eu já não conseguiria desenvolver a dissertação que desenvolvi hoje em minha mente. Então escreverei o que me vir das coisas que pensei, porque muitas já se perderam na viagem de lá à cá.

E realmente a sua companhia no bar fez com que todos dessem um gole a mais na cerveja. Sempre dão, eu sempre dou. E sobre a sua altura... Foi um momento estranho, nem eu sei o que sentir pensando no que eu disse. Talvez eu que tenha crescido um pouco, por isso notei que você não estava mais tão alta. Tudo bem, concordo com você, o jeito que eu disse pareceu até que a imagem da Musa vista por mim em você, tinha sido destruída. Mas não, não pode ter sido. Não foi. A paixão pode acabar um dia, mas o meu amor será eterno. Sempre é. Porém eu confesso: Não me vejo olhando em seus olhos sem sentir o que ainda sinto, sem vê-los como ainda vejo. Eu os vejo hipnotizantes, como se fossem os olhos da Capitu, mas diferentes por não ser ela, e mais apaixonantes por ser você. Essa passagem do livro: Dom casmurro. Resume bem o que o seu olhar me passa e o que estar com você me faz sentir:

"Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e energético, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira na praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrasado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me."… em vós me ficou a melhor parte da crise, a sensação de um gozo novo, que me envolvia em mim mesmo, e logo me dispersava, e me trazia arrepios, e me derramava não sei que bálsamo interior. Às vezes dava por mim, sorrindo, um ar de riso de satisfação, que desmentia a abominação do meu pecado.


Aiai, o Machado sabia muito sobre a vida, poderia ter me deixado alguns ensinamentos sobre amor... Mas já que não deixou, mudemos de assunto.


Como sou sortuda, como tenho sorte de poder conversar contigo sobre o projeto. Existe uma pessoa e outra, as quais você não conhece, que sabem sobre as cartas, mas nunca converso com ninguém sobre elas. Então converso com você e vejo um sol em meio a tantas nuvens, quase vejo dois sóis. Aliás, eu poderia ficar conversando contigo por várias noites, pediria a Deus por dias seguidos para que você não precisasse atravessar aquela rua e para que a escuridão não terminasse. Eu poderia sentar ali naquele chão mesmo, e ficar conversando contigo, olhando para você, ouvindo os seus dizeres e filosofando sobre os meus sentimentos. Quem sabe então eu viesse a conseguir te impressionar né? Quem sabe então você viesse a se apaixonar...
Pois bem, hoje prezo bem mais ouvir o tom das suas palavras do que matar a vontade de sentir o gosto dos seus lábios, o mais legal é que sou feliz por isso. Sou feliz por olhar em seus olhos brilhantes e poder conversar contigo sobre o meu amor, sem nenhuma vergonha. Por que eu sentiria vergonha? Eu sinto vergonha de falar sobre coisas que não sei explicar direito, mas sobre o meu amor sou muito segura, a segurança e a certeza flui em cada palavra, antes mesmo de cada uma ser cantada. A minha verdade está no meu olhar, no meu querer dizer. Me sinto muito bem ao conversar com você. Me sinto privilegiada. Pensa comigo: Quantas pessoas amam e não dizem? Quantas pessoas dizem para poder esquecer? Eu não disse que te amo (acho), mas contei sobre o meu amor e não foi para te esquecer, foi para lembrar que mesmo não podendo te ter, eu minimamente tentei, eu indiretamente tentei. Me sinto infinitamente bem por isso, mas não é o fim. Calma, não se termina algo que nem ao menos começou. Por mais que eu não acredite na conquista, ela acontece, ainda tenho 457 cartas para te fazer viciar em minhas palavras, não que seja isso que eu queira, mas quem disse que eu não mais quero matar a vontade do seu beijar?


Com amor,
Jessica Mota

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